Quarta-feira a Beatriz acordou um pouco rouca. Eu percebi, mas não me preocupei de início. Achei até que ela estivesse brincando de ficar rouca, como ela costuma brincar de cuspir, de gritar... Na hora do almoço ela estava mais rouquinha, e eu comecei a prestar mais atenção. No finalzinho da tarde ela começou a fazer um barulho esquisitíssimo para respirar, parecia estar com falta de ar. Eu me apavorei, liguei para o pediatra. Ele começou a fazer um interrogatório: "Ela está usando o abdômen para respirar?" -- "ah.. ela mexe a barriga..." -- "Ela está gemendo?" -- "humm... não, mas ela conversa, e só sabe falar aaaa.. iiii..."... Diante da minha evidente incapacidade de descrever o quadro, o pediatra pediu que eu a levasse para a clínica onde ele estava trabalhando. Fui correndo, entrei escondida na clínica porque lá só poderiam ser atendidos usuários de um plano de saúde "x", esgueirei-me pelos corredores para não ser notada pelas recepcionistas, encontrei o consultório e entrei desesperada. O médico começou a examinar a Beatriz com a cara muito séria, escutou seu pulmão, pediu para eu tirar sua roupinha, escutou de novo, e pela frente também, até que eu perguntei: "é muito sério?", "vou te mostrar", ele respondeu. Ele, então, pegou um palito, enrolou um algodão na ponta, enfiou no nariz dela e tirou uma caca gigante. Era isso. Catota de nariz. Quem vai precisar de um médico qualquer dia sou eu...
| "Mãe, pára de babar em mim e olha pra frente que o papai está tirando fotografia." |
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